Nova estrutura de liderança abrange informação, finanças, marketing, tecnologia, transmissão, programação e auditoria interna.
A Rádio Moçambique (RM) reforçou a sua estrutura de gestão com a entrada em funções de 12 novos responsáveis para diferentes áreas estratégicas da empresa, numa altura em que o sector dos media enfrenta profundas transformações provocadas pela expansão das plataformas digitais e pela mudança nos hábitos de consumo de informação.
Os novos gestores foram empossados esta quarta-feira, numa cerimónia realizada na Cidade de Maputo, dirigida pelo Presidente do Conselho de Administração da Rádio Moçambique, Mário Albino.
A nova composição da estrutura de direcção abrange áreas consideradas fundamentais para o funcionamento da emissora pública, desde a informação e programação até às finanças, marketing, tecnologia, transmissão, auditoria e gestão administrativa.
Conheça os 12 novos responsáveis da Rádio Moçambique
Entre os empossados está Saimon Kabwe, que assume o cargo de Director de Informação, passando a liderar uma das áreas centrais da actividade da emissora.
A lista dos novos responsáveis inclui ainda:
- Milagrosa Monjane — Directora-Adjunta do Centro de Formação Profissional;
- Manuel Muchanga — Director de Contabilidade e Finanças;
- Carlos Quive — Director de Estúdios e Sistemas de Informação;
- Letícia Tonela — Directora de Aquisições e Gestão de Contratos;
- Joaquim Gribate — Director de Transmissão;
- Paulo Jotamo — Assessor do Administrador de Produção;
- John Chigueda — Delegado do Emissor Provincial de Maputo;
- Maria Helena Macia — Directora Comercial e de Marketing;
- Edmundo Arrone — Director do Gabinete de Auditoria Interna;
- Rosa Maciel — Directora de Programas;
- Carlos Anselmo — Director do Gabinete do Conselho de Administração.
A distribuição dos novos cargos mostra que a reestruturação abrange praticamente toda a cadeia operacional da Rádio Moçambique.
Geração de receitas entra no centro das atenções
Durante a cerimónia de tomada de posse, o Presidente do Conselho de Administração, Mário Albino, apelou para uma maior dinâmica na geração de receitas.
A orientação coloca a sustentabilidade financeira como um dos desafios que a nova equipa terá de enfrentar.
A nomeação de Maria Helena Macia para a Direcção Comercial e de Marketing ganha particular importância neste contexto. A área terá um papel relevante na procura de novas oportunidades comerciais e no desenvolvimento de estratégias capazes de fortalecer as receitas da empresa.
O desafio ocorre num momento em que o sector da comunicação atravessa uma transformação acelerada. A publicidade e a atenção das audiências estão cada vez mais distribuídas por diferentes plataformas, enquanto as redes sociais e os serviços digitais alteram a forma como os cidadãos consomem notícias e entretenimento.
Para uma emissora pública com presença nacional, a capacidade de adaptar o seu modelo de operação às novas condições do mercado poderá ser determinante para garantir a sustentabilidade da instituição.
Rádio enfrenta transformação no consumo de informação
A mudança nos hábitos de consumo representa outro desafio para os meios de comunicação tradicionais.
Grande parte do público, sobretudo os segmentos mais jovens, passou a utilizar smartphones e plataformas digitais como principais portas de entrada para notícias, vídeos, áudios e outros conteúdos.
Neste cenário, a Rádio Moçambique precisa de conciliar a sua forte presença na radiodifusão tradicional com uma estratégia digital capaz de acompanhar o comportamento das novas audiências.
A nomeação de responsáveis para áreas como Estúdios e Sistemas de Informação, Transmissão e Programas poderá contribuir para esse processo, embora os resultados dependam das estratégias que serão implementadas pela nova liderança.
A aposta em plataformas digitais, podcasts, conteúdos para redes sociais e formatos adaptados ao consumo através de telemóveis pode representar uma oportunidade para ampliar o alcance da emissora.
Combate à desinformação pode reforçar credibilidade
Outro dos grandes desafios para o sector dos media é o crescimento da desinformação nas redes sociais.
A velocidade com que rumores, conteúdos manipulados e informações falsas circulam na internet tornou a verificação dos factos uma componente cada vez mais importante do jornalismo.
Neste contexto, a Direcção de Informação, agora liderada por Saimon Kabwe, terá pela frente o desafio de manter elevados padrões de rigor jornalístico e reforçar a capacidade da RM de oferecer informação credível aos seus públicos.
A aposta em conteúdos de verificação de factos e educação mediática pode ser particularmente relevante para alcançar os jovens, que estão entre os grupos mais expostos à circulação de conteúdos nas plataformas digitais.
No entanto, para disputar a atenção desse público, o combate à desinformação terá de ser acompanhado por uma transformação na forma de distribuição dos conteúdos.
Não basta produzir informação de qualidade. É necessário garantir que essa informação chega ao público nos canais e formatos que este utiliza diariamente.
Uma mudança que vai além da informação
A nova estrutura da RM mostra que a estratégia da empresa não está limitada à área editorial.
A presença de novas lideranças nas áreas de Contabilidade e Finanças, Comercial e Marketing, Auditoria Interna, Aquisições e Gestão de Contratos e Gabinete do Conselho de Administração aponta para uma reorganização que também envolve a componente administrativa e financeira.
Ao mesmo tempo, as áreas de Estúdios e Sistemas de Informação, Transmissão e Programas terão um papel importante na modernização e na adaptação da oferta da emissora às novas exigências tecnológicas.
A Direcção do Centro de Formação Profissional também poderá assumir importância na preparação dos recursos humanos para um ambiente mediático em rápida transformação.
O que está em jogo para a Rádio Moçambique?
A entrada dos 12 novos responsáveis acontece num momento em que os meios de comunicação tradicionais precisam de se adaptar a uma realidade em que a concorrência pela atenção do público já não vem apenas de outras rádios, televisões ou jornais.
Hoje, as emissoras competem também com redes sociais, plataformas de vídeo, serviços de streaming, podcasts e criadores independentes de conteúdo.
Para a Rádio Moçambique, o desafio será transformar a sua experiência e cobertura nacional numa vantagem dentro deste novo ecossistema.
A empresa terá de encontrar um equilíbrio entre a sua missão de serviço público, a necessidade de fortalecer as receitas e a urgência de conquistar novas gerações de ouvintes.
A aposta em informação credível poderá ajudar a preservar a confiança do público. A inovação digital poderá aproximar a RM dos jovens. E uma estratégia comercial mais dinâmica poderá contribuir para reforçar a sustentabilidade da instituição.
Próximos passos serão determinantes
A tomada de posse dos 12 novos responsáveis representa o início de uma nova etapa, mas os resultados dependerão das decisões e estratégias que serão implementadas.
A prioridade anunciada de dinamizar a geração de receitas coloca a área comercial perante um desafio concreto: encontrar novas oportunidades num mercado cada vez mais competitivo.
Na informação, o desafio será manter a credibilidade e responder à desinformação sem perder velocidade e relevância.
Na relação com os jovens, a RM terá de demonstrar que uma rádio pública pode continuar relevante numa geração que consome cada vez mais conteúdos através do telefone.
A capacidade de combinar credibilidade jornalística, inovação tecnológica e sustentabilidade financeira poderá determinar o sucesso da nova fase da Rádio Moçambique.
