Maputo recebeu esta quinta-feira, 9 de julho de 2026, mais um capítulo da relação entre o Presidente Daniel Francisco Chapo e o economista nigeriano Akinwumi Adesina, antigo Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). O encontro, realizado no Gabinete Presidencial, não surge isolado: um dia antes, Adesina fez a intervenção de abertura na Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, onde analisou o percurso económico do país entre 2000 e 2025.
Essa sequência importa. Adesina não chegou a Moçambique para uma visita protocolar chegou depois de dois dias imerso no diagnóstico estrutural da economia moçambicana, discutido ao lado do académico Cardoso Muendane e de representantes do Banco Mundial e da União Europeia.
Chapo e Adesina concentraram a conversa em cinco frentes: industrialização a partir do gás natural, agricultura, economia azul, saúde e captação de investimento de longo prazo. Não houve anúncio de valores ou contratos foi um encontro de alinhamento estratégico, não de assinatura de acordos.
O ponto mais concreto foi a proposta de Adesina para o gás natural: em vez de exportar apenas matéria-prima, Moçambique deveria desenvolver indústrias de metanol, etanol e ureia a partir do gás. Isto ligaria directamente à produção de fertilizantes relevante para a agricultura nacional, que ainda depende de importações.
Na economia azul, Adesina defendeu investimento estruturante em aquacultura, associando-a à segurança alimentar e à redução de importações uma ponte directa com o nicho editorial que definiste para este portal.
Adesina liderou o BAD durante dez anos (2015–2025), período em que a instituição aumentou o capital de 93 mil milhões para 318 mil milhões de dólares e apoiou projectos em Moçambique como o sector energético e o Corredor de Nacala. Deixou o cargo a 1 de setembro de 2025, sucedido pelo mauritano Sidi Ould Tah. Hoje lidera a Cimeira de Investimento Global África (GAIS), plataforma que segundo revelou no próprio encontro continuará a trabalhar com Moçambique na captação de investidores.
Não é a primeira vez que os dois se encontram: já tinham estado juntos em Adis Abeba, em fevereiro de 2025, dias depois da tomada de posse de Chapo, e voltaram a cruzar-se na Assembleia-Geral do Africa50, em agosto do mesmo ano.
Para o leitor moçambicano, isto significa um sinal de continuidade: mesmo fora do cargo formal no BAD, Adesina mantém peso junto de Maputo através de uma nova plataforma de investimento. O foco declarado gás, agricultura, economia azul, saúde coincide com as prioridades que o próprio Governo já vinha a anunciar noutras frentes nas últimas semanas.
O que fica por responder: se a proposta de industrialização do gás (metanol, etanol, ureia) vai entrar nalgum instrumento formal Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, por exemplo ou se fica apenas como recomendação técnica sem seguimento orçamental
