Uma rotura numa conduta de abastecimento nas proximidades do Mercado Central de Quelimane, ocorrida na noite de quarta-feira, condicionou o fornecimento de água potável em mais de 20 bairros da cidade, capital da província da Zambézia.
A força da água libertada pela rotura inundou parte da área comercial do mercado, arrastando mercadorias de vendedores de produtos hortícolas. Comerciantes descrevem momentos de apreensão e prejuízo directo, numa zona que depende do movimento diário para sustento.
O impacto alargado explica-se pela estrutura da rede: os bairros afectados dependem todos da mesma conduta principal danificada junto ao mercado. Quando uma infra-estrutura central deste tipo falha, o efeito em cascata atinge zonas que, à partida, nada têm a ver com o local da rotura.
Este padrão não é exclusivo de Quelimane cidades como Maputo e Beira já enfrentaram problemas semelhantes de dependência de condutas únicas, um dos pontos estruturais identificados em projectos de reforço da rede de água na região Centro do país, financiados pelo Banco Mundial.
Equipas técnicas da Águas da Região Centro, SA (AdRC) empresa responsável pelo abastecimento de água nos distritos de Quelimane e Nicoadala, sucessora da antiga delegação do FIPAG na região desde 2022 deslocaram-se ao local ainda na noite do incidente para identificar a origem da avaria.
Em comunicado, a empresa confirmou a extensão do problema aos mais de 20 bairros e garantiu que decorrem trabalhos de reparação, apelando à compreensão dos consumidores.
Enquanto a reparação decorre, famílias e comerciantes ficam sem previsão firme de regularização do abastecimento. Para os vendedores do Mercado Central, o problema é duplo: perderam mercadoria na inundação e agora enfrentam dias sem água para lavar produtos e manter a actividade em condições mínimas de higiene.
