Docentes exigem pagamento de horas extras em atraso desde 2013; Governo classifica protesto como ilegal
Cerca de 250 professores de três escolas do distrito de Xai-Xai, na província de Gaza, entraram em greve por tempo indeterminado, deixando milhares de alunos sem aulas. A paralisação, que começou esta semana, é motivada por dívidas salariais que os docentes dizem arrastar-se desde 2013. O Governo distrital classificou a greve como ilegal e já confirmou a marcação de faltas aos professores envolvidos, agravando um impasse que ameaça comprometer o calendário escolar de cerca de 5 mil estudantes.
O movimento paralisou três unidades de ensino: a EPC Ndambine 2000, a EPC 2013 e a Escola Secundária de Ndambine 2000. Nelas, salas vazias substituíram as aulas habituais, numa região onde o ano escolar já enfrenta historicamente desafios de infraestrutura e recursos.
Segundo os professores em greve, a origem do conflito remonta a 2013, ano em que alegam ter prestado horas extraordinárias que nunca foram pagas pelo Estado. A isso soma-se uma segunda reivindicação: a reposição de descontos salariais de 5% que os docentes consideram terem sido aplicados de forma indevida. A combinação das duas dívidas, segundo os grevistas, criou um sentimento de descrença em relação às promessas das autoridades educativas.
A resposta institucional não se fez esperar. Artur Sitoe, Secretário Permanente do distrito de Xai-Xai, classificou a paralisação como ilegal e confirmou que os professores ausentes das salas de aula terão falta registada uma medida que pode implicar descontos salariais adicionais para quem aderiu ao movimento, agravando ainda mais a tensão financeira que motivou o protesto inicial.
Já a Direção Provincial de Educação de Gaza apresentou uma versão diferente da dimensão do problema. A porta-voz Jaquilija Jorge contestou o número de escolas afetadas avançado pelos grevistas, afirmando que a greve estaria circunscrita apenas à EPC Ndambine 2000. Esta divergência entre a versão dos professores e a da tutela provincial lança dúvidas sobre a real extensão do impacto nas comunidades escolares de Xai-Xai.
A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) entrou no debate em defesa da classe docente, acusando o Governo de adiar soluções concretas e de responder às reivindicações apenas com promessas sem efeito prático. Para a associação, o caso de Xai-Xai reflete um padrão mais amplo de tensão entre o corpo docente moçambicano e as autoridades educativas, ligado a questões salariais recorrentes em várias províncias.
Enquanto o impasse persiste, são os alunos que pagam o preço mais imediato. Cerca de 5 mil estudantes das três escolas afetadas ficam sem aulas num momento em que o calendário escolar nacional já é apertado, com risco de atrasos na matéria letiva e impacto direto na preparação para exames e avaliações trimestrais. Especialistas em educação têm alertado, em casos semelhantes ocorridos noutras províncias, que interrupções prolongadas tendem a agravar as taxas de retenção escolar, sobretudo em zonas onde o acesso ao ensino já enfrenta outros obstáculos.
Para já, não há sinais de uma reunião agendada entre o Governo distrital, a Direção Provincial de Educação e os representantes dos professores grevistas. A comunidade escolar de Xai-Xai aguarda que as partes encontrem uma via de diálogo capaz de destravar o conflito antes que o prejuízo letivo se torne ainda mais difícil de recuperar.

