A Associação dos Farmacêuticos de Moçambique (AFARMO) apresentou, esta sexta-feira, em Maputo, um estudo dedicado à empregabilidade dos profissionais do sector, numa altura em que a classe procura compreender melhor as dificuldades de inserção no mercado de trabalho e preparar-se para os desafios futuros.
Intitulado “Empregabilidade dos Farmacêuticos em Moçambique: Perfil Profissional, Empregabilidade e Desafios Futuros”, o estudo procura traçar um retrato da realidade profissional dos farmacêuticos no País, analisando o perfil da classe, as condições de acesso ao emprego e as perspectivas para o desenvolvimento da profissão.
A apresentação foi marcada pelo reconhecimento das dificuldades encontradas durante o processo de recolha de dados. A presidente da AFARMO, Bélia Muchanga Cueteia, explicou que a equipa responsável pela pesquisa precisou de recorrer a diferentes estratégias para conseguir a participação dos profissionais.
Segundo a dirigente, o envolvimento dos farmacêuticos foi determinante para a produção de informação capaz de ajudar a compreender, de forma mais concreta, os obstáculos e as oportunidades existentes no mercado de trabalho.
Emprego continua entre os desafios da profissão
A discussão sobre a empregabilidade surge num contexto em que a classe farmacêutica moçambicana enfrenta outros desafios estruturais, incluindo a necessidade de formação especializada e maior valorização profissional.
Dados anteriormente apresentados pela própria AFARMO indicam que Moçambique tinha cerca de 1.700 farmacêuticos registados na Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (ANARME), dos quais aproximadamente 250 eram membros da associação.
A presidente da AFARMO já havia apontado anteriormente dificuldades no acesso a oportunidades de emprego e limitações relacionadas com a formação especializada. A ausência de cursos de especialização no País é considerada um dos factores que podem restringir a integração dos profissionais em determinadas áreas do sistema de saúde.
Em 2025, a AFARMO também alertou para preocupações relacionadas com o desemprego e a falta de oportunidades de formação contínua para os farmacêuticos moçambicanos.
Estudo pode ajudar a orientar futuras decisões
A realização da pesquisa ganha importância porque permite deslocar o debate de percepções gerais para dados sobre a realidade profissional da classe.
Além da questão do emprego, a profissão farmacêutica enfrenta um processo mais amplo de organização e valorização. Em Junho de 2025, a AFARMO, a ANARME e a Ordem dos Farmacêuticos de Portugal estabeleceram um protocolo de colaboração para reforçar a capacitação profissional, a regulamentação do sector e a promoção do uso racional de medicamentos.
Mais recentemente, em Agosto de 2026, a Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP) defendeu a criação de uma Ordem dos Farmacêuticos de Moçambique, considerando que uma entidade reguladora poderá contribuir para a valorização da profissão, definição de padrões profissionais e reforço da segurança dos doentes.
Neste cenário, os resultados do novo estudo da AFARMO poderão servir como uma referência para compreender onde estão as principais dificuldades de inserção profissional e que medidas podem ser adoptadas para melhorar as perspectivas de carreira dos farmacêuticos no País.
A publicação dos dados também poderá alimentar o debate entre associações profissionais, instituições de ensino, entidades reguladoras e autoridades de saúde sobre a formação, especialização e aproveitamento dos recursos humanos disponíveis no sector farmacêutico.
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