O jornalista Tomás Vieira Mário defende que, caso o Governo esteja efectivamente disponível para dialogar com os grupos insurgentes que actuam em Cabo Delgado, devem ser desenvolvidas iniciativas para localizar possíveis interlocutores e criar condições para um processo de negociação.
A posição foi apresentada ontem, durante o Jornal Principal (JP), na sequência da recente manifestação de abertura do Presidente da República, Daniel Chapo, para um eventual diálogo com os grupos envolvidos no conflito que há anos afecta a província de Cabo Delgado.
Ao comentar a possibilidade de diálogo, Tomás Vieira Mário recordou um episódio associado ao processo de paz entre o Governo e a RENAMO. Segundo o jornalista, numa determinada fase daquele conflito, o então Presidente da República, Joaquim Chissano, terá admitido dificuldades em localizar os responsáveis da RENAMO para estabelecer contactos.
Tomás Vieira Mário afirmou ainda que, naquela ocasião, líderes religiosos teriam manifestado disponibilidade para contribuir para a localização dos responsáveis da RENAMO e facilitar a abertura de canais de diálogo.
Para o jornalista, uma situação semelhante poderia ser considerada no actual conflito em Cabo Delgado. Se existe uma vontade política real de negociar, pessoas ou organizações consideradas de boa-fé poderiam desempenhar um papel de intermediação e ajudar a estabelecer contactos com os grupos armados.
A proposta surge num momento em que o Governo procura reforçar as respostas ao terrorismo em Cabo Delgado, uma província estratégica para Moçambique devido às suas reservas de gás natural e outros recursos.
Contudo, um eventual diálogo dependeria da identificação de interlocutores legítimos, da criação de garantias de segurança e de uma definição clara dos objectivos do processo. Também permanecem questões sobre quem poderia representar os grupos armados e em que condições estariam dispostos a negociar.
A declaração de Tomás Vieira Mário coloca, assim, o debate para além da questão de saber se o Governo aceita dialogar: passa também a questionar quem deve procurar os possíveis interlocutores e como estabelecer um canal de comunicação capaz de conduzir a uma solução política para o conflito.
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