Roberto Albino avalia expansão do Projecto Transformar, financiado pela HCB, numa altura em que o Governo aposta em água subterrânea e energia solar para reduzir dependência de importações alimentares
O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, visitou o distrito de Cahora Bassa, na província de Tete, para acompanhar a implementação do Projecto Transformar. A deslocação incluiu também visita a uma fábrica de processamento de tabaco, segundo cobertura da Rádio Moçambique.
O projecto combina agricultura, gestão de água e energia solar num único modelo produtivo.
A visita insere-se na monitoria directa de projectos estratégicos financiados por capital privado. A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) financia a iniciativa no âmbito da sua responsabilidade social, coincidindo com as comemorações dos 50 anos da empresa um marco que a HCB tem usado para reforçar investimento social na região onde opera.
O Projecto Transformar usa água subterrânea extraída com energia solar, não água de superfície nem electricidade da rede.
Para uma região como Tete onde cheias e secas alternam com frequência e onde a rede eléctrica nem sempre chega às zonas rurais isto é uma diferença estrutural, não cosmética. Significa produção agrícola menos vulnerável a cortes de energia e a variações do caudal dos rios.
Directamente, produtores de tabaco de Cahora Bassa, através do aproveitamento da rede já existente para diversificar para milho, soja, hortícolas, frango, ovos, carnes vermelhas e tilápia em aquacultura. Indirectamente, o mercado da região centro do país, que a Rádio Moçambique já identificou como alvo estratégico do complexo industrial associado.
O projecto está alinhado com a agenda governamental "Produzir para Alimentar Moçambique", que prioriza produtos da cesta básica. Isto não é retórica isolada: coincide com o anúncio recente de 75 milhões de dólares do próprio Ministro Roberto Albino para sementes certificadas na campanha 2026/27, depois de Moçambique ter importado cerca de 80% das sementes usadas na resposta às cheias deste ano.
Os dois anúncios, lidos em conjunto, desenham uma estratégia: reduzir a dependência de importação tanto de sementes como de tecnologia de irrigação.
Tete tem potencial agrícola subaproveitado por falta de infraestrutura de irrigação fiável. Um modelo replicável de água subterrânea e energia solar, se funcionar em Cahora Bassa, é um argumento técnico para expansão a outros distritos com características hídricas semelhantes não só nesta província.
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