Arrancou esta quinta-feira (9 de Julho de 2026) a segunda fase da reabilitação de emergência da Estrada Nacional Nº 6 (EN6), uma das vias mais importantes do País, que liga o Porto da Beira à fronteira com o Zimbabwe. A intervenção, orçada em cerca de 600 milhões de meticais, abrange os troços com maior nível de degradação ao longo dos 300 quilómetros da rodovia. Contudo, o investimento milionário em obras paliativas levanta um debate urgente na região centro: o asfalto vai sobreviver à agressividade climática de Sofala e Manica?
A província de Sofala é historicamente fustigada por ciclones tropicais e cheias severas que destroem o pavimento poucos meses após as reparações. A concessionária Rede Viária de Moçambique (REVIMO) detalhou em comunicado que esta fase inclui trabalhos de drenagem e uma reabilitação estruturante do pavimento. O objectivo é melhorar a segurança rodoviária e garantir a durabilidade das cargas enquanto se aguarda uma intervenção de maior escala. No entanto, engenheiros locais questionam se o modelo de "obras de emergência" não se tornou um ciclo vicioso de gasto de fundos públicos e privados.
O que Muda Agora para Quem Viaja e Transporta
Os automobilistas e camionistas que utilizam o corredor Beira – Machipanda devem preparar-se para fortes constrangimentos. Com a introdução de desvios e trabalhos na via, o tempo de viagem vai aumentar significativamente nos próximos cinco meses, prazo previsto para a conclusão das obras. A circulação de carga pesada, essencial para o abastecimento de países vizinhos como o Zimbabwe, Zâmbia e Malawi, será feita sob condições de tráfego lento em vários segmentos degradados.
Por outro lado, há uma luz ao fundo do túnel para o trânsito regional. A REVIMO confirmou que os trabalhos na antiga ponte sobre o rio Metuchira, em Manica, estão na fase conclusiva. Esta ponte funcionava como um dos maiores pontos de estrangulamento do corredor logístico. A sua reabertura total deverá garantir maior fluidez e segurança para os pesados de mercadorias que saem do Porto da Beira.
Para o cidadão comum, a durabilidade desta empreitada de 600 milhões de meticais ditará o preço dos produtos importados no mercado nacional. Se as novas barreiras de drenagem falharem na próxima época de chuvas, o corredor corre o risco de sofrer novos cortes, isolando rotas comerciais vitais e encarecendo o custo de vida no centro do país. O teste de fogo para a REVIMO e para o Governo começa agora, com a fiscalização rigorosa destes cinco meses de asfalto.
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