Num movimento que sinaliza o endurecimento da vigilância macroprudencial sobre o sistema financeiro nacional, o Banco de Moçambique colocou inspetores residentes em duas das maiores instituições bancárias operantes no país. A decisão, tomada na terça-feira (23 de Junho), visa monitorar por dentro a gestão de riscos e os controlos internos do mercado privado.
Quem Entra e Quais os Alvos do Regulador
Para assegurar uma fiscalização em tempo real, o Banco Central selecionou quadros técnicos do seu próprio mapa de pessoal de supervisão. A distribuição estratégica ficou desenhada da seguinte forma:
- No Banco Internacional de Moçambique (BIM): Foi nomeada Amélia Sirage.
- No Moza Banco: Foi designado Hélder Muianga.
A missão oficial destes profissionais envolve acompanhar a implementação de estratégias de negócio, analisar os sistemas de governação corporativa e participar diretamente nas reuniões dos órgãos colegiais das duas firmas comerciais.
O Tabuleiro dos Bancos Sistémicos e a Saída do Access Bank
O avanço regulatório acontece sobre instituições de peso crítico para a economia moçambicana. O BIM figurou até Dezembro de 2025 como o maior banco de importância sistémica no país, ao passo que o Moza Banco sustenta a quinta posição no mesmo indicador de relevância nacional.
Simultaneamente, o regulador financeiro determinou a retirada de Amélia Sirage do Access Bank Moçambique, SA, onde atuava desde 27 de Setembro de 2023. O Banco Central justificou a saída com os "progressos significativos" alcançados na governação interna e na colaboração daquela entidade, que regressa agora ao regime de supervisão habitual aplicável aos restantes operadores.
Impacto no Mercado e a Reação dos Clientes
A colocação de um inspetor residente é uma prerrogativa legal que muitas vezes acende alertas silenciosos no ecossistema empresarial. Embora o regulador tenha feito questão de sublinhar publicamente que tanto o BIM como o Moza Banco mantêm rácios de solidez e estabilidade recomendáveis, este tipo de ação preventiva visa blindar o sistema contra potenciais riscos de liquidez ou falhas de conformidade aduaneira e cambial.
Atualmente, o ecossistema financeiro moçambicano é composto por 15 bancos comerciais e 12 micro-bancos, além de cooperativas de crédito de menor dimensão, que disputam a confiança de investidores locais e estrangeiros.
%20(1).webp)
Comentários
Enviar um comentário