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| Mercado informal |
Escassez de combustível alimenta comércio clandestino e leva autoridades a alertarem para impactos económicos e sociais em vários distritos da província.
A crescente falta de combustível em algumas regiões da província da Zambézia está a impulsionar uma escalada sem precedentes dos preços da gasolina no mercado informal. Enquanto os postos de abastecimento autorizados mantêm o litro a cerca de 98,7 meticais, revendedores clandestinos estão a comercializar o mesmo produto por valores que chegam aos 500 meticais em determinadas zonas do interior. As autoridades provinciais consideram a situação alarmante e alertam para os efeitos negativos sobre a mobilidade, os serviços essenciais e a economia local.
Escassez abre espaço para preços recordes
A crise de abastecimento de combustíveis que afecta várias localidades da Zambézia está a criar um ambiente favorável para a expansão do mercado paralelo. Em algumas comunidades, a dificuldade de encontrar gasolina nos postos formais levou muitos consumidores a recorrerem a vendedores informais, que aproveitam a elevada procura para impor preços muito acima dos praticados oficialmente.
Enquanto o litro da gasolina continua tabelado em cerca de 98,7 meticais nos postos autorizados, em certas zonas do interior o mesmo produto está a ser vendido entre 400 e 500 meticais, representando um aumento que preocupa autoridades e operadores económicos.
Interior da província enfrenta os maiores desafios
Embora o fenómeno também seja visível na cidade de Quelimane, onde a gasolina comercializada informalmente varia entre 200 e 250 meticais por litro, a situação é considerada mais grave nos distritos afastados dos principais centros urbanos.
A dificuldade logística para garantir o abastecimento regular nessas regiões tem contribuído para a escassez do produto, criando condições para que revendedores clandestinos ampliem as suas margens de lucro.
Autoridades denunciam especulação
O Secretário de Estado na Zambézia, Avelino Muchine, classificou o cenário como uma situação preocupante e alertou para a necessidade de combater práticas especulativas.
Embora reconheça os constrangimentos no fornecimento de combustível, o governante considera que alguns operadores informais estão a aproveitar-se das dificuldades enfrentadas pela população para elevar os preços de forma excessiva, agravando ainda mais o impacto da crise.
Como funciona o mercado clandestino
Segundo informações avançadas pelas autoridades, muitos revendedores adquirem combustível directamente nos postos autorizados, armazenando-o em bidões para posterior comercialização em pequenas quantidades.
Este modelo de negócio informal ganhou força à medida que aumentaram as dificuldades de abastecimento, permitindo aos vendedores estabelecer preços significativamente superiores aos valores praticados pelas gasolineiras.
Serviços essenciais estão entre as prioridades
Face à redução das quantidades disponíveis, gestores de postos de abastecimento têm adoptado medidas para evitar rupturas totais no fornecimento.
Entre as estratégias implementadas está a criação de reservas diárias de combustível destinadas a garantir o funcionamento de serviços considerados essenciais. Ambulâncias que asseguram o transporte de pacientes entre localidades da província estão entre os principais beneficiários destas reservas estratégicas.
Impacto económico pode atingir toda a cadeia de consumo
Especialistas alertam que a persistência da escassez poderá provocar consequências para além do sector dos combustíveis.
O aumento dos custos de transporte tende a reflectir-se no preço final de diversos produtos, especialmente alimentos e mercadorias transportadas para os mercados locais. Pequenos comerciantes, agricultores e operadores de transporte poderão ser directamente afectados caso a situação não seja normalizada nos próximos meses.
Fiscalização e gestão de stocks ganham importância
Empresários do sector defendem uma gestão mais rigorosa dos stocks disponíveis e o reforço das acções de fiscalização para reduzir os desvios de combustível para o mercado informal.
A expectativa é que uma distribuição mais transparente e controlada contribua para diminuir a especulação e assegurar que o produto chegue aos consumidores pelos preços oficialmente estabelecidos.

