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| Fonte de água |
Projeto financiado pelo Banco Mundial avança em Rapale, mas população da capital provincial ainda enfrentará longos anos de racionamento de água.
NAMPULA, Moçambique - A promessa de uma solução definitiva para a histórica crise hídrica que assola a cidade de Nampula deu os primeiros passos burocráticos, mas o alívio para as torneiras secas da população ainda está longe de se materializar. O projeto da Barragem de Macuje, localizado no distrito de Rapale, concluiu recentemente a sua primeira fase de consulta pública para a Avaliação de Impacto Ambiental e o Plano de Reassentamento. Apesar do avanço técnico, o Governo provincial já confirmou que os cidadãos da capital terão de conviver com severas restrições no abastecimento por um período prolongado.
A urgência da obra justifica-se pelos números. Atualmente, a província de Nampula regista uma taxa de cobertura de água potável de apenas 44,9%. Isso significa que mais de metade da população local não tem acesso regular a este recurso básico. A futura infraestrutura, desenhada para armazenar 88 milhões de metros cúbicos de água, foi projetada para beneficiar diretamente cerca de 1 milhão de pessoas, modernizando um sistema que hoje depende de uma represa saturada e construída há seis décadas.
O fator tempo: Por que a solução estrutural não é imediata?
O reconhecimento de que o sofrimento da população vai durar mais do que o desejado partiu do próprio Secretário de Estado da província de Nampula, Plácido Pereira. Durante a sexta sessão ordinária do Conselho Provincial de Segurança Alimentar e Nutricional, o governante explicou que a complexidade de engenharia, os processos de reassentamento populacional e os prazos de construção empurram a estabilização do fornecimento para o longo prazo.
"Já houve estudos de impacto ambiental, mas o processo vai levar tempo. Espera-se que a barragem resolva em definitivo o crítico problema de água", afirmou Plácido Pereira, reconhecendo que o cenário urbano da capital provincial continua a ser um dos mais desafiadores da região.
Enquanto a imponente estrutura de Macuje não sai do papel, a pressão sobre a atual barragem de Nampula inaugurada nos anos 1960 e severamente castigada pelo assoreamento e pelo crescimento demográfico explosivo da cidade continuará a ditar o quotidiano de restrições e racionamentos dos munícipes.
Estratégia de transição: Furos de água e expansão em Nacala
Para evitar o colapso total antes da inauguração em Rapale, os Serviços Provinciais das Actividades Económicas detalharam o plano de contingência que está a ser executado pelo Executivo. Segundo dados apresentados por Bonifácio Cambir, representante do setor, o foco imediato divide-se em duas frentes:
- Zonas Rurais: Multiplicação de furos de água comunitários para responder à escassez imediata. No último ano, o plano governamental resultou na abertura de 459 novas fontes e na reabilitação de outras 373 que se encontravam avariadas.
- Zonas Urbanas: Investimento em sistemas de distribuição de pequena e grande escala. Paralelamente ao drama de Nampula, a cidade portuária de Nacala já regista obras em curso para a expansão da sua própria barragem, numa tentativa de blindar os centros urbanos da província contra a seca extrema.
O megaprojeto de Macuje conta com o suporte financeiro do Banco Mundial, uma garantia de fundos que assegura a viabilidade da obra, mas que também exige o cumprimento rigoroso de salvaguardas sociais e ambientais internacionais um fator que, embora garanta a sustentabilidade do projeto, acrescenta etapas burocráticas ao cronograma de execução. Até lá, a resiliência continua a ser a principal ferramenta dos habitantes de Nampula.

