Instituição internacional acredita numa melhoria gradual da actividade económica, apesar dos desafios internos e das incertezas globais
A economia de Moçambique poderá iniciar uma fase de recuperação gradual ao longo deste ano, segundo novas perspectivas apresentadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A previsão aponta para um crescimento económico de cerca de 0,5%, num contexto marcado pela desaceleração observada recentemente e pela influência de factores externos, como a volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis e das matérias-primas.
As projecções foram partilhadas em Maputo durante um debate sobre as perspectivas económicas regionais, onde especialistas analisaram os principais desafios e oportunidades para os países africanos dependentes da exportação de recursos naturais.
Economia procura recuperar após período de desaceleração
Os números mais recentes revelam que a actividade económica moçambicana enfrentou um desempenho abaixo das expectativas. Dados actualizados indicam que o crescimento registado anteriormente foi significativamente inferior ao previsto, reflectindo dificuldades em diversos sectores da economia.
A revisão dos indicadores económicos demonstra que a expansão da produção nacional foi limitada, especialmente fora da indústria extractiva, sector que continua a desempenhar um papel central na geração de receitas e investimento.
Para analistas económicos, esta realidade evidencia a necessidade de acelerar a diversificação da economia, reduzindo a dependência de poucos sectores e fortalecendo áreas como agricultura, indústria transformadora, turismo e serviços.
Preços internacionais continuam a influenciar o desempenho do país
Um dos principais factores observados pelo FMI é a evolução dos mercados globais. As oscilações nos preços do petróleo, gás natural, carvão mineral e outras commodities continuam a afectar directamente as perspectivas económicas de Moçambique.
Como exportador de recursos naturais, o país permanece vulnerável a choques externos que podem alterar receitas fiscais, níveis de investimento e disponibilidade de divisas.
Além disso, o aumento dos custos dos combustíveis pode gerar impactos em cadeia sobre os transportes, produção agrícola, preços dos alimentos e inflação, afectando directamente o poder de compra das famílias.
Investidores observam novos sinais positivos
Apesar dos desafios, existem indicadores considerados encorajadores para a economia nacional.
Entre eles destaca-se a recente saída de Moçambique da chamada "lista cinzenta" do sistema internacional de combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.
Especialistas acreditam que esta conquista poderá melhorar a imagem do país perante instituições financeiras internacionais, fundos de investimento e parceiros económicos.
A medida tende a aumentar a confiança dos investidores estrangeiros, facilitar o acesso ao financiamento externo e reforçar a credibilidade do sistema financeiro nacional.
O que pode impulsionar o crescimento nos próximos meses?
Economistas apontam vários factores capazes de contribuir para uma recuperação mais consistente:
- Continuação dos investimentos em projectos energéticos;
- Maior estabilidade macroeconómica;
- Reforço das exportações;
- Melhoria do ambiente de negócios;
- Crescimento da confiança dos investidores;
- Expansão da actividade agrícola e industrial.
Contudo, os especialistas alertam que o cenário internacional continua marcado por riscos relacionados com conflitos geopolíticos, inflação global e desaceleração económica em algumas das maiores economias mundiais.
Perspectivas para o futuro
Embora o crescimento previsto seja ainda modesto, a expectativa do FMI representa um sinal de que a economia moçambicana poderá estar a entrar numa fase de estabilização após um período de forte pressão.
O desempenho dos próximos meses será determinante para confirmar se o país conseguirá transformar os actuais sinais positivos numa recuperação mais sólida e sustentável, capaz de gerar emprego, aumentar o rendimento das famílias e impulsionar o desenvolvimento económico nacional.

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