O etíope Yomif Kejelcha voltou a escrever o seu nome na história do atletismo mundial. O fundista estabeleceu um novo recorde mundial da meia-maratona em Buenos Aires, na Argentina, numa corrida que também reforçou a trajetória de um atleta que enfrentou resistência da própria família antes de conquistar o reconhecimento internacional.
Kejelcha completou os 21,0975 quilómetros em 56 minutos e 51 segundos, melhorando o recorde que pertencia ao ugandês Jacob Kiplimo. O desempenho confirmou o domínio do atleta etíope numa das provas mais exigentes do atletismo de estrada.
A corrida foi praticamente controlada por Kejelcha. O atleta assumiu a liderança ainda na primeira metade do percurso e, depois de se destacar dos adversários, percorreu os quilómetros finais praticamente sozinho.
Os compatriotas Tadese Worku, com 59 minutos e 18 segundos, e Bereket Nega, com 1 hora e 17 segundos, completaram o pódio.
Da quinta para o topo do atletismo mundial
Muito antes dos recordes e das grandes competições internacionais, Kejelcha era filho de agricultores na Etiópia. A sua escolha pelo atletismo não foi inicialmente vista pela família como um caminho seguro para o futuro.
Segundo relatos sobre a sua trajetória, o pai, Atoma, chegou a colocar o jovem perante uma escolha: continuar os estudos ou deixar a casa para seguir a carreira de corredor.
Kejelcha escolheu correr.
A decisão provocou uma ruptura temporária com a família, mas a mãe, Biritu, acabou por intervir para que o filho pudesse regressar. O jovem, por sua vez, prometeu que o atletismo poderia mudar não apenas a sua própria vida, mas também a dos pais.
Anos depois, a promessa ganhou outra dimensão.
Um dos melhores fundistas da actualidade
Com cerca de 1,85 metro e apenas 58 quilos, Kejelcha apresenta características físicas pouco comuns entre alguns dos principais especialistas das provas de fundo. A combinação entre resistência, velocidade e capacidade de manter ritmos elevados tornou-o competitivo tanto na pista como nas corridas de estrada.
O etíope já tinha sido recordista mundial da meia-maratona, antes de o seu registo ser superado por Kiplimo. Agora, recupera novamente o máximo mundial e acrescenta mais um capítulo a uma carreira que também começa a apontar para a maratona.
A possibilidade de Kejelcha atacar o recorde mundial dos 42,195 quilómetros surge como um dos próximos grandes desafios da sua carreira.
Mais do que uma marca cronológica, o novo recorde representa o resultado de uma trajectória construída contra dúvidas e dificuldades. O jovem que um dia teve de escolher entre os estudos e a corrida transformou a pista e a estrada no caminho para cumprir a promessa de proporcionar uma vida diferente aos seus pais.
De uma quinta na Etiópia aos recordes mundiais: Yomif Kejelcha continua a transformar a corrida numa história de superação.
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