Declaração do Presidente dos Estados Unidos surge num momento de forte pressão militar e económica sobre Teerão e aumenta a disputa pelo controlo de uma das principais rotas energéticas do mundo.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera actualmente o Estreito de Ormuz como “território americano”, numa declaração que promete agravar ainda mais as tensões entre Washington e Teerão.
Trump fez a declaração na sexta-feira, 21 de Agosto, durante um comício realizado em Myrtle Beach, no estado da Carolina do Sul. Segundo o The Guardian, o Presidente norte-americano afirmou perante apoiantes que vê o estratégico estreito como território dos Estados Unidos.
A declaração não surgiu de forma isolada. Nos últimos dias, Trump já tinha anunciado a intenção de declarar o Estreito de Ormuz como território norte-americano e chegou a publicar uma imagem de um mapa identificando a zona como “novo território dos EUA”.
Disputa pelo controlo do estreito
O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais importantes para o comércio mundial de energia. Antes da actual guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados por via marítima passavam pela região.
A importância estratégica do estreito está também na sua localização: a passagem situa-se entre o Irão e Omã e liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, posteriormente, ao Oceano Índico.
Qualquer interrupção prolongada do tráfego marítimo pode provocar impactos nos preços internacionais do petróleo, no custo dos transportes e no abastecimento energético de vários países.
Declaração de Trump não altera automaticamente a soberania
Apesar das palavras do Presidente norte-americano, afirmar que considera Ormuz “território americano” não significa que a região tenha passado legalmente a fazer parte dos Estados Unidos.
A questão envolve soberania, jurisdição marítima e direito internacional. O Irão rejeita a pretensão norte-americana e já respondeu às declarações de Trump, classificando-as como uma tentativa que não pode transformar a situação jurídica do estreito simplesmente através de uma declaração política.
Trump, por outro lado, tem defendido que os Estados Unidos possuem controlo sobre a passagem. Em 12 de Agosto, afirmou que Washington tinha “controlo total” sobre o Estreito de Ormuz.
Tráfego marítimo sofre forte redução
A disputa já está a produzir consequências concretas no transporte marítimo. Dados citados pela Reuters indicam que o movimento de navios comerciais através do estreito diminuiu drasticamente em Agosto, enquanto Washington mantém pressão sobre o Irão.
No dia 21 de Agosto, apenas sete navios de mercadorias atravessaram a passagem, metade do número registado no dia anterior, segundo dados citados pela Reuters. O petróleo Brent era negociado perto dos 93 dólares por barril naquele momento.
A redução do tráfego aumenta o risco de perturbações no fornecimento mundial de energia, sobretudo para economias asiáticas fortemente dependentes do petróleo e gás provenientes do Golfo.
Nova frente de tensão entre Washington e Teerão
A declaração de Trump ocorre numa altura em que Estados Unidos e Irão continuam envolvidos numa confrontação que já dura vários meses, sem um acordo definitivo para encerrar a crise.
Washington prepara novas sanções contra Teerão, enquanto autoridades iranianas ameaçam responder a novas medidas norte-americanas. A Reuters descreve o actual momento como um período de forte retórica hostil entre os dois países.
A disputa em torno de Ormuz pode, assim, transformar uma questão de navegação e energia numa das principais frentes da confrontação entre os Estados Unidos e o Irão.
Para os mercados internacionais, o principal risco é uma interrupção prolongada do transporte de petróleo e gás. Para a região do Golfo, o perigo é ainda maior: qualquer escalada militar envolvendo o estreito pode afectar directamente países produtores, companhias marítimas e as cadeias globais de abastecimento.
