quarta-feira, 1 de julho de 2026

Quelimane duplica rede de bibliotecas municipais com financiamento do Japão

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Quelimane duplica rede de bibliotecas municipais com financiamento do Japão

O Conselho Autárquico de Quelimane inaugurou, nesta quarta-feira, 1 de Julho de 2026, duas novas bibliotecas municipais. Com esta expansão, a capital da província da Zambézia passa a contar com quatro espaços de leitura pública.

​Os novos estabelecimentos reforçam o acesso descentralizado ao conhecimento fora do centro urbano tradicional da cidade.


​Descentralização cultural: Onde ficam os novos espaços?

​A expansão focou-se em áreas periféricas e de forte densidade estudantil. As duas novas infraestruturas inauguradas são:

  • ​Biblioteca Municipal Emílio Ferraz: Localizada no Posto Administrativo Urbano n.º 05.
  • ​Biblioteca Municipal Eduardo White: Instalada junto à Escola Aeroporto Expansão, no Posto Administrativo Urbano n.º 07.

​O projeto foi totalmente viabilizado através do apoio financeiro e solidariedade do Governo do Japão, que financiou a construção civil das duas obras.


​O investimento japonês e o atraso na digitalização

​O que muda agora: Estudantes dos bairros periféricos deixam de percorrer longas distâncias até ao centro de Quelimane para consultar bibliografia académica.

​Durante o ato, o Presidente do Conselho Autárquico de Quelimane, Manuel de Araújo, enfatizou o impacto da cooperação internacional, sublinhando que o apoio japonês foca-se no desenvolvimento de competências a longo prazo.

​Contudo, ao contrário das bibliotecas municipais localizadas em Sangariveira (Posto Administrativo Urbano n.º 02) e no bairro Cololo (Posto Administrativo Urbano n.º 03), as duas novas unidades ainda não arrancaram com módulos de biblioteca digital.

​Esta ausência limita, numa primeira fase, o acesso dos munícipes às tecnologias de informação mais recentes.


​O paradoxo da leitura: Infraestruturas vs. Hábitos de consumo

​A abertura de bibliotecas na Zambézia expõe um desafio estrutural que a maioria da imprensa moçambicana não aprofunda: o fosso entre a construção de salas e os índices reais de literacia funcional.

​Dados históricos do sector de educação mostram que o acesso ao livro físico é apenas o primeiro passo; sem bibliotecas escolares ativas e políticas de incentivo à leitura na comunidade, estes espaços correm o risco de registar baixas taxas de ocupação diária.


​Presenças institucionais e o suporte do sector privado

​O evento contou com uma forte representação institucional e diplomática. Estiveram presentes o Secretário da Embaixada do Japão em Moçambique, a Directora Provincial da Cultura e Turismo da Zambézia e delegados da Direcção Provincial da Educação.

​Organizações não governamentais e empresas do sector privado e financeiro  incluindo a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Universidade Politécnica, Universidade Católica de Moçambique (UCM), Banco Comercial e de Investimentos (BCI) e a Tmcel marcaram presença como expositores, sinalizando potenciais parcerias futuras para o fornecimento de conteúdos e conectividade.

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