quarta-feira, 8 de julho de 2026

Gás Veicular: O Paradoxo que Trava a Poupança em Moçambique

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Gás Natural

A promessa de massificação do Gás Natural Veicular (GNV) apresentada pelo Director-Executivo da Autogás, João das Neves, carrega um forte paradoxo económico. Enquanto Moçambique celebra contratos milionários de exportação de gás das bacias de Inhambane e Cabo Delgado, o cidadão comum continua asfixiado pelos preços da gasolina e do gasóleo.


​A transição energética é descrita pela empresa como "irreversível", mas avança de forma lenta. O nó cego da massificação não reside na vontade dos automobilistas, mas sim nas barreiras financeiras e fiscais do próprio país.


​O Custos de Instalação vs. Expansão

​Embora o abastecimento com gás ofereça uma poupança directa substancial, a infraestrutura ainda avança a um ritmo tímido. Atualmente, a realidade do mercado de GNV em Moçambique assenta em apenas 7 postos de abastecimento activos, que se encontram severamente concentrados na Província e Cidade de Maputo, incluindo zonas como Machava, N4, Marracuene e o terminal da EMTPM.

​Para tentar quebrar esta barreira geográfica, está em curso uma expansão financiada pela Sasol e pelo Banco Nacional de Investimento (BNI). Este plano prevê a abertura de 4 novos postos localizados estrategicamente nas províncias de Gaza e Inhambane, com destaque para a região de Chicumbane.

​O objectivo estratégico a longo prazo traçado pelo sector é ambicioso: alcançar uma rede nacional de 20 postos de abastecimento até ao ano de 2035. Contudo, o grande travão para atingir esta meta continua a ser o ambiente de negócios nacional, marcado pela falta de incentivos fiscais específicos e pela aplicação de taxas aduaneiras elevadas que encarecem a importação de componentes fundamentais.


​O Gargalo Fiscal: O que impede o gás de chegar ao Centro e Norte?

​A distribuição nacional enfrenta um bloqueio geográfico e regulamentar crítico. Toda a infraestrutura actual e planeada está restrita ao sul do país. Províncias como Sofala, Tete ou Nampula continuam totalmente excluídas da rede de GNV, forçadas a depender do crude importado.

​João das Neves aponta que as taxas de juro de mercado praticadas pela banca local não estão alinhadas com as necessidades de desenvolvimento do sector. Além disso, o preço de compra do gás pelo país precisa de ser "desdolarizado" para evitar flutuações cambiais. Sem incentivos alfandegários para a importação de kits de conversão e cilindros de alta pressão, o avanço é arrastado.


​Impacto Social: O Reflexo Directo no Preço do "Chapa"

​A transição para o gás tem impacto directo no custo de vida, especialmente através dos transportes semi-colectivos de passageiros, os "chapas". Sempre que o preço dos combustíveis líquidos sobe, os operadores exercem pressão para aumentar as tarifas urbanas.

​Se a frota de transportes fosse convertida em massa nas rotas onde o gás já abunda, o preço das passagens ganharia imunidade contra os choques do mercado internacional. Contudo, falta em Moçambique uma legislação que obrigue ou apoie activamente os operadores de transportes públicos a adoptar o GNV.

​Tendências Futuras e Próximos Passos

​Para acelerar o ritmo, a Autogás tem vindo a subsidiar e reduzir os custos de conversão para os automobilistas particulares, tentando mitigar o investimento inicial elevado. A sustentabilidade do sector dependerá, contudo, de uma intervenção directa do Governo de Moçambique na criação de políticas fiscais favoráveis.

​A reportagem completa que detalha estes dados e os novos investimentos na rota do sul vai para o ar hoje, às 20 horas, na Antena Nacional da Rádio Moçambique.

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