O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) fechou o mês de junho de 2026 avaliado em 117.958.215,57 USD. Embora o saldo represente uma evolução tímida de 552.155,36 USD em relação ao final de março, os dados acendem um sinal de alerta: o ritmo de crescimento do veículo financeiro que guarda as receitas do Gás Natural Liquefeito (GNL) desacelerou drasticamente.
O fecho do trimestre foi marcado por volatilidade. No último dia de junho, o fundo abriu cotado em 118.067.346,42 USD, mas derrapou antes do fecho do mercado, acumulando um prejuízo diário de 109.130,84 USD devido a oscilações financeiras.
O Impacto do Impasse Político-Económico e a Falta de Transparência
O Fundo Soberano continua refém da burocracia estatal. Até ao final do primeiro trimestre, os recursos estavam parqueados em regime de overnight no Bred Banque Populaire (França), The Toronto-Dominion Bank (Canadá) e Sumitomo Mitsui Trust Bank, Ltd. (Japão). Esta aplicação provisória estende-se porque o Ministério da Economia e Finanças ainda não aprovou o Plano Director de Investimento.
Sem este plano homologado, o Banco de Moçambique, na qualidade de Gestor Operacional, não pode comprar activos de longo prazo com maior rendimento. O dinheiro fica "preso" em segurança prudente, mas rende muito menos do que o potencial projectado para a Bacia do Rovuma.
Outro ponto crítico é a opacidade: os relatórios oficiais ocultam os custos operacionais de gestão da carteira. Sabe-se apenas que o Banco Central pagou do próprio bolso 3.123,95 USD para despesas de material visual e manutenção de contas em 2026, ficando o Estado em dívida com o regulador. Os salários e custos de estrutura da equipa de gestão permanecem uma incógnita para os moçambicanos.
Comparação: O Choque com o Brilho Inicial
O cenário actual contrasta fortemente com a euforia do arranque. Nos primeiros 34 dias de operacionalização (entre 10 de Dezembro de 2025 e 12 de Janeiro de 2026), o FSM disparou 6,5 milhões de USD, saltando do capital inicial de 109.972.545,75 USD para 116.481.811,43 USD, impulsionado pela entrada massiva de receitas de produção de GNL.
No primeiro trimestre (janeiro a março), o crescimento ainda garantiu um lucro de 1.059.438,82 USD (uma variação positiva de 6,6%). Agora, entre abril e junho, o ganho de pouco mais de 550 mil dólares mostra que, sem novas injecções pesadas de capital de produção ou investimentos estratégicos, o rendimento do fundo estabilizou num patamar modesto.
O que muda agora para o cidadão moçambicano?
Para a população e para o Orçamento do Estado, a desaceleração significa que os retornos esperados para financiar infraestruturas, saúde e educação vão demorar mais a ganhar escala. Se o Plano Director de Investimento continuar na gaveta do governo, o Fundo Soberano funcionará apenas como uma conta poupança internacional em dólares, protegendo o capital da inflação, mas falhando na missão de multiplicar a riqueza nacional para as próximas gerações.
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