O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, iniciou uma visita oficial à República Unida da Tanzânia, onde assume o papel de Convidado de Honra na 50ª Edição da Feira Internacional de Dar-es-Salaam. O evento, que decorre até ao próximo sábado, serve de palco para o novo estadista moçambicano testar a eficácia da sua agenda de diplomacia económica na região da SADC.
A deslocação responde a um convite directo da sua homóloga tanzaniana, Samia Suluhu Hassan. Mais do que um acto de cortesia diplomática, a presença moçambicana ao mais alto nível visa reposicionar o país no comércio regional e atrair novos investimentos para o sector industrial.
O Desafio das Assimetrias e o Gargalo de Negomano
Historicamente, as relações políticas entre Maputo e Dodoma superam o desempenho económico. Dados macroeconómicos recentes apontam que a balança comercial continua fortemente favorável à Tanzânia, que exporta produtos manufacturados de consumo rápido, enquanto Moçambique foca-se em matérias-primas agrícolas de menor valor acrescentado.
O grande entrave para que as pequenas e médias empresas (PME) moçambicanas aproveitem o mercado tanzaniano reside na infraestrutura de ligação. A Ponte da Unidade, em Negomano, província de Cabo Delgado, continua subaproveitada devido às condições precárias das vias de acesso do lado moçambicano, limitando o fluxo camarário terrestre de mercadorias a larga escala.
Quem ganha e o que muda na rota de Dar-es-Salaam?
A participação neste fórum internacional afecta directamente a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e os exportadores agrícolas das províncias de Niassa e Cabo Delgado. Se os acordos assinados nesta feira saírem do papel, o Porto de Pemba e o Porto de Nacala poderão registar um incremento na movimentação de carga de cabotagem para abastecer o sul da Tanzânia.
Para o cidadão comum, uma maior integração económica com o país vizinho significa o potencial desagravamento de preços de produtos importados na região norte. Contudo, o sucesso depende da eliminação de barreiras não-tarifárias que ainda persistem nas alfândegas da região.
O Impacto Estratégico para Moçambique e os Próximos Passos
Para Moçambique, este evento marca o início do posicionamento de Daniel Chapo face aos parceiros tradicionais da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). A Tanzânia desempenhou um papel histórico de retaguarda durante a Luta de Libertação Nacional e, actualmente, partilha preocupações críticas de segurança na bacia do Rovuma.
O desfecho desta visita poderá ditar a assinatura, nos próximos meses, de memorandos específicos de facilitação de comércio e cooperação energética na exploração de gás natural. A expectativa agora foca-se no fórum de negócios bilateral que decorrerá à margem da feira, onde empresários moçambicanos tentarão fechar contratos de fornecimento directo.
