As trocas comerciais entre Moçambique e o Zimbabwe atingiram a marca histórica de cerca de 400 milhões de dólares norte-americanos o equivalente a perto de 30 mil milhões de meticais nos últimos dois anos. Contudo, por trás deste número vistoso, joga-se uma cartada geopolítica crucial na Cidade da Beira: a segurança de combustível da África Austral face à instabilidade no Médio Oriente.
Os dados financeiros foram revelados por Manuel Rodrigues, Secretário de Estado na Província de Sofala, durante a Conferência de Comércio e Investimentos entre Moçambique e Zimbabwe, na Beira.
Paralelamente ao fórum, delegações de alto nível dos dois países iniciaram as sessões da Comissão Fronteiriça Conjunta (JBC), lideradas por Joy Makumbe, Secretária Permanente dos Transportes do Zimbabwe. O objectivo é acelerar a integração logística para evitar um colapso operacional perante o aumento abrupto do tráfego.
A Corrida de Harare por Armazenamento e Combustível
O verdadeiro motor que inflacionou o comércio bilateral é o sector de hidrocarbonetos. Em encontros estratégicos monitorizados pelos ministérios tutelares de ambos os países, as autoridades zimbabueanas deixaram claro que o Corredor da Beira é a sua linha de vida (lifeline).
Com a expansão recente da capacidade de bombagem da Companhia do Pipeline Moçambique-Zimbabwe (CPMZ), o fluxo de combustíveis em direcção a Harare disparou. No entanto, o Zimbabwe enfrenta agora uma insuficiência crítica de tanques e exige autorização para construir e gerir infra-estruturas de reserva estratégica soberana em solo moçambicano.
Infra-estruturas de Alta Pressão
Para suportar este volume transaccional de 30 mil milhões de meticais, a empresa gestora do Porto da Beira, a Cornelder de Moçambique, planeia acelerar os investimentos na modernização dos cais de carga geral e de contentores. Na calha está também a discussão sobre um sistema de Amarração em Bóia Única (SBM – Single Buoy Mooring) para acelerar a descarga de grandes navios petroleiros na barra de Sofala.
Para travar os esquemas de corrupção e a lentidão burocrática nas alfândegas, quadros da NOIC (Companhia Nacional de Infra-estruturas de Petróleo do Zimbabwe) e dos CFM (Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique) avaliam a unificação de tarifas e a digitalização completa dos manifestos de carga.
O Impacto Directo para o Cidadão e a Economia Nacional
O fluxo maciço de produtos alimentares, madeira, fertilizantes e combustíveis garante um encaixe fiscal directo para a Autoridade Tributária de Moçambique (AT). A nível social, este dinamismo assegura a manutenção de milhares de postos de trabalho no sector de estiva, agenciamento marítimo e transportes em Sofala.
Todavia, o reverso da medalha é o impacto humano nas vias de acesso. O aumento descontrolado do tráfego pesado de mercadorias acelera a degradação da Estrada Nacional Número 6 (N6) e satura a vila fronteiriça de Machipanda, onde as longas filas de camiões geram insegurança rodoviária e problemas de saúde pública
.webp)