quarta-feira, 1 de julho de 2026

Chissano Defende Emprego Estrutural em Moçambique como Vacina Contra a Xenofobia Sul-Africana

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Chissano Defende Emprego Estrutural em Moçambique como Vacina Contra a Xenofobia Sul-Africana

​A verdadeira solução para travar o fluxo de moçambicanos vulneráveis rumo à África do Sul não reside em acções paliativas, mas sim na independência económica interna. O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, defendeu publicamente que a criação de empregos e a retenção de jovens no tecido produtivo nacional são as únicas vias sustentáveis para quebrar o ciclo de violência migratória a longo prazo.

​As declarações foram feitas nesta terça-feira, 30 de Junho, na Cidade de Maputo. O antigo Estadista falava à imprensa à margem de uma palestra sobre o "Papel da Universidade Eduardo Mondlane na Construção do Estado Moçambicano", num evento transmitido pela Rádio Moçambique e pela TV Sucesso.


​O Nó Górdio da Regularização Migratória e o Diálogo Bilateral

​Para além das reformas económicas internas, Joaquim Chissano colocou o dedo na ferida diplomática: a urgência de um diálogo contínuo e pragmático entre o Governo de Moçambique e as autoridades de Pretória. O antigo Presidente sublinhou que a regularização documental dos cidadãos moçambicanos na diáspora sul-africana é prioritária para retirar milhares de compatriotas da clandestinidade jurídica.

​A falta de estatuto legal na África do Sul funciona como um catalisador para a violência. Sem documentos, os migrantes moçambicanos ficam desprotegidos pela lei local, tornam-se alvos fáceis para redes de exploração laboral e são frequentemente bodes expiatórios em momentos de fricção socioeconómica nas townships sul-africanas.


​Desemprego Jovem: O Factor de Expulsão que o País não Resolve

​A análise de Chissano toca no principal factor de expulsão de Moçambique: o desemprego jovem. Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que a taxa de subemprego e desemprego no seio da juventude moçambicana permanece asfixiante, empurrando a força laboral mais activa para o sector informal ou para a emigração de alto risco.

​Ao cruzar a fronteira de Ressano Garcia sem qualificações ou contratos formais, a juventude troca a falta de perspectivas locais por um ambiente de hostilidade. A mudança de paradigma sugerida pelo antigo Presidente exige que os investimentos em megaprojectos se traduzam em cadeias de valor locais capazes de gerar postos de trabalho directos nas províncias do Sul e Centro do país.


​ O que Muda se Moçambique Mudar a Estratégia?

​As propostas de Joaquim Chissano sinalizam uma viragem na percepção da crise:

Impacto Económico de Médio Prazo: A criação de emprego interno retém o capital humano e estimula o consumo doméstico. Contudo, a curto prazo, a redução da migração pode diminuir a entrada de divisas e remessas informais que sustentam distritos inteiros em Gaza e Inhambane.

Impacto Social Directo: Ao garantir estabilidade financeira interna, reduz-se o trauma familiar associado à deportação forçada e à perda de bens materiais em pilhagens do outro lado da fronteira.

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