A plataforma de mensagens WhatsApp, propriedade da Meta Platforms, iniciou nesta segunda-feira, 29 de Junho de 2026, a disponibilização global de uma das funcionalidades mais aguardadas pelos seus utilizadores: a reserva de nomes de utilizador (usernames) exclusivos.
A actualização vai permitir que as contas comuniquem entre si sem a necessidade de partilharem os seus números de telefone privados. O processo de implementação será gradual, visando dar oportunidade para que a base de dados de mais de 3 mil milhões de pessoas registadas na aplicação consiga garantir a sua identidade digital desejada.
Como Funciona a Reserva no Seu Smartphone
Para verificar a disponibilidade e reservar o nome exclusivo, o utilizador deve aceder ao menu de definições da aplicação, clicar em Conta e, caso a conta já tenha sido abrangida pela actualização faseada, seleccionar a opção Nome de utilizador.
A empresa proprietária do serviço esclareceu que a novidade não elimina a obrigatoriedade do número de telefone. O contacto telefónico continua a ser estritamente necessário para criar, validar e manter a conta activa no dispositivo móvel. A diferença reside na escolha de exibição e partilha em conversas individuais ou de grupo.
Com o objectivo de blindar a segurança e evitar abordagens em massa, o WhatsApp garantiu que não existirá nenhuma lista pública de perfis, directório de busca ou sistema de descoberta de utilizadores semelhante ao que ocorre em redes sociais tradicionais como o Instagram ou o X (antigo Twitter). Para iniciar um chat, será obrigatório conhecer o termo exacto definido pela outra pessoa.
O Impacto Oculto em Moçambique: Negócios Informais e o Risco de "Grilagem" de Identidades
Embora a imprensa tecnológica internacional comemore a novidade focando-se na privacidade pessoal, há dois factores críticos ignorados pela concorrência que afectam directamente o ecossistema digital moçambicano: o comércio informal e o cibercrime.
Em Moçambique, milhares de pequenos empreendedores utilizam contas pessoais e o WhatsApp Business nas províncias de Maputo, Sofala e Nampula para vender produtos e coordenar serviços de entrega. A introdução de nomes de utilizador elimina a barreira do receio de partilhar o contacto telefónico, permitindo que clientes encontrem marcas de forma mais profissional.
Por outro lado, a introdução gradual abre espaço para a "grilagem digital" (username squatting). Criminosos informáticos podem antecipar-se e reservar nomes de instituições bancárias nacionais, figuras públicas moçambicanas, marcas locais ou ministérios do Governo para cometer fraudes de engenharia social através de perfis falsos que aparentam legitimidade absoluta.
Como Moçambique ainda enfrenta desafios de literacia digital e segurança cibernética, a falta de uma verificação inicial rígida pode confundir o cidadão comum, que pode assumir que está a conversar com o suporte oficial de uma empresa quando, na verdade, comunica com uma conta fraudulenta que simplesmente registou o nome primeiro.
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