terça-feira, 30 de junho de 2026

Gás de Cabo Delgado: Jovens moçambicanos ganham estágio em Portugal para travar mão de obra estrangeira

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Gás de Cabo Delgado: Jovens moçambicanos ganham estágio em Portugal para travar mão de obra estrangeira

A contagem decrescente para a retoma dos mega-projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, acelerou a corrida pela qualificação industrial.

​Na abertura da 4.ª Assembleia Anual e Conferência Internacional da Federação Africana de Soldadura (TWF), realizada na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Maputo, foi anunciado um programa estratégico de mobilidade profissional.

​Vinte jovens moçambicanos vão beneficiar de formação especializada e estágios internacionais na Europa. A iniciativa visa responder à histórica exclusão de técnicos nacionais nos contratos de alta complexidade da indústria extractiva.


​O que muda com a parceria internacional?

​O programa resulta de uma parceria tripartida entre o Centro de Formação Profissional em Metalurgia e Mecânica (CFPM), a multinacional portuguesa CSWind e entidades tuteladas pelo Governo de Portugal.

​O modelo de capacitação divide-se em duas fases críticas:

Fase Nacional: Três meses de instrução técnica intensiva nas instalações do CFPM, em Moçambique.

​Fase Internacional: Um mês de especialização avançada e certificação internacional em Portugal, com inserção direta em ambiente de fábrica.

​O Gargalo do Conteúdo Local: O impacto para Moçambique

​O debate, que decorreu sob o lema "Manufactura Sustentável em África", colocou o dedo na ferida do empresariado nacional. Paulo Chibanga, presidente da Associação Industrial de Moçambique (AIMO), defendeu que o país não pode continuar a ser um mero espectador dos investimentos bilionários.

​A soldadura industrial de alta precisão é o cerne da construção de infraestruturas energéticas. Sem soldadores certificados sob padrões internacionais (como os da American Welding Society ou normas europeias), as Pequenas e Médias Empresas (PME) moçambicanas são sistematicamente desqualificadas nos concursos lançados pelas multinacionais petrolíferas.

​A formação destes 20 jovens funciona como um projecto-piloto para quebrar o ciclo de importação de mão de obra qualificada vinda de países asiáticos e europeus, retendo o capital financeiro dentro das fronteiras nacionais.


​Além do gás: A tendência de exportação de serviços técnicos

​Um elemento raramente debatido nas conferências económicas é o mercado de exportação de força de trabalho industrial dentro de África. A certificação emitida pela TWF e pelas entidades europeias abre portas para que estes jovens actuem noutros pólos em crescimento no continente.

​A procura por soldadores especializados na construção de gasodutos na África Oriental e infraestruturas mineiras na África Austral coloca Moçambique na rota de fornecedores de serviços técnicos.

​A curto prazo, os 20 técnicos cobrem lacunas locais; a longo prazo, criam uma classe de exportadores de serviços de engenharia no continente.

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