Nesta quarta-feira, a Nampula inicia uma nova fase na organização do transporte público urbano com a entrada em vigor de um modelo tarifário baseado na distância percorrida pelos passageiros. A medida foi aprovada pelas autoridades municipais como resposta às dificuldades financeiras enfrentadas pelo sector e às crescentes exigências da mobilidade urbana.
Até agora, muitos passageiros pagavam um valor único independentemente do percurso realizado. Com a nova regra, a cobrança passa a variar conforme os troços atravessados durante a viagem.
Passageiros passam a pagar valores adicionais em determinados pontos
O novo sistema mantém os 15 meticais como valor inicial da viagem. Contudo, os passageiros deverão efectuar pagamentos complementares ao ultrapassarem zonas consideradas pontos de referência tarifária.
Entre os locais definidos pelo município estão Sipal, CFM e Mercado 25 de Junho, áreas estratégicas que passam a funcionar como divisões operacionais do novo modelo.
Na prática, quem fizer viagens mais longas poderá gastar mais em comparação ao sistema anterior.
A edilidade argumenta que a alteração pretende tornar o sector mais sustentável e evitar prejuízos constantes enfrentados pelos operadores de transporte semi-colectivo.
Autocarros municipais terão tarifa fixa
Enquanto os chapas privados passam a operar com cobrança segmentada, os autocarros da Empresa Municipal de Transportes Públicos vão funcionar com um modelo simplificado.
Nestes veículos, o passageiro pagará 15 meticais do início ao fim da rota, independentemente da distância percorrida.
Segundo fontes municipais, a medida pretende acelerar o embarque, reduzir discussões relacionadas ao pagamento e melhorar a circulação nas vias mais movimentadas da cidade.
Conselho Municipal promete reforçar fiscalização
As autoridades municipais alertam que práticas consideradas irregulares continuarão proibidas, sobretudo o encurtamento de rotas por parte dos operadores.
O município afirma que equipas de fiscalização poderão intensificar o controlo nos principais corredores urbanos para garantir o cumprimento integral das novas normas.
Transportadores que abandonarem passageiros antes do destino final ou alterarem os trajectos autorizados poderão enfrentar sanções administrativas previstas nos regulamentos municipais.
O que muda para quem usa transporte diariamente?
Os passageiros deverão preparar-se para um sistema mais rigoroso de cobrança, especialmente nas viagens longas entre bairros periféricos e o centro da cidade.
Por que a tarifa foi alterada?
A autarquia justifica a decisão com o aumento dos custos operacionais ligados ao combustível, manutenção de viaturas e pressão sobre o sistema de transporte urbano.
A medida pode afectar o custo de vida?
Sim. Trabalhadores e estudantes que dependem diariamente do transporte colectivo poderão sentir impacto no orçamento mensal, principalmente em deslocações extensas.
Mobilidade em transformação: entre sustentabilidade do sistema e pressão sobre os passageiros urbanos
A mudança no modelo tarifário em Nampula mostra uma tendência crescente em cidades africanas que procuram equilibrar a sustentabilidade do transporte público com a crescente procura urbana.
No entanto, o sucesso da medida dependerá menos da cobrança e mais da qualidade do serviço oferecido. Sem melhorias na lotação, regularidade e segurança, o novo sistema corre o risco de aumentar apenas os custos para os passageiros sem resolver os problemas estruturais da mobilidade urbana.

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