Nesta semana, em Angola, o Governo angolano formalizou um convite ao Gabão para integrar o projecto da Refinaria do Lobito, considerada uma das principais apostas do país para reduzir a dependência de combustíveis importados e reforçar a capacidade energética regional.
O anúncio foi feito pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, durante a visita oficial do Presidente gabonês, Brice Clotaire Oligui Nguema, à Refinaria de Luanda.
Refinaria do Lobito é peça-chave na estratégia energética
A Refinaria do Lobito está em construção e terá capacidade para processar até 200 mil barris de petróleo por dia. Actualmente, a Sonangol, é a única investidora do projecto.
Segundo Diamantino Azevedo, a refinaria foi concebida para atender não apenas o mercado angolano, mas também vários países da África Subsaariana, reforçando o posicionamento estratégico de Angola no sector dos combustíveis refinados.
O governante afirmou que a participação do Gabão poderá fortalecer o empreendimento e ampliar a cooperação energética entre os dois países africanos.
Angola quer reduzir importação de combustíveis
Apesar de figurar entre os maiores produtores africanos de petróleo bruto, Angola continua dependente da importação de combustíveis refinados, situação que pressiona os custos internos e a balança comercial.
Para inverter esse cenário, o Executivo aposta em três grandes refinarias:
-Refinaria de Cabinda, com capacidade de 60 mil barris por dia;
-Refinaria do Soyo, com 100 mil barris diários;
-Refinaria do Lobito, projectada para 200 mil barris por dia.
As autoridades angolanas acreditam que, após a entrada em funcionamento das três unidades, o país poderá atingir auto-suficiência em combustíveis refinados e até exportar derivados para mercados regionais.
Porque Angola ainda importa combustíveis?
Embora produza petróleo bruto em grande escala, Angola possui capacidade limitada de refinação interna. Isso obriga o país a importar gasolina, gasóleo e outros derivados já processados, aumentando a dependência externa.
Gabão demonstra interesse na experiência petrolífera angolana
Durante a visita de Estado, Brice Oligui Nguema manifestou interesse em aprofundar o intercâmbio com Angola no sector petrolífero.
O Presidente gabonês destacou a importância de conhecer melhor a experiência angolana na relação com companhias petrolíferas internacionais e nos mecanismos de gestão das receitas provenientes da exploração de hidrocarbonetos.
A cooperação poderá abrir espaço para novos acordos económicos e técnicos entre os dois países.
Angola amplia investimentos no sector industrial
Além das refinarias, Angola avança com outros projectos ligados à industrialização e à diversificação energética.
O Governo confirmou o desenvolvimento de uma fábrica de amónia e ureia no Sumbe, cuja produção deverá arrancar em 2027. Também está em implementação um centro de pesquisa da Sonangol dedicado a petróleo, gás, energias renováveis, biocombustíveis e minerais críticos.
O que Angola pretende alcançar com esses investimentos?
O Executivo pretende aumentar a transformação local dos recursos naturais, reduzir a dependência de importações e fortalecer a posição de Angola como fornecedor regional de energia e produtos derivados.
Reflexão do convite
O convite ao Gabão para participar na Refinaria do Lobito reflecte uma estratégia mais ampla de integração energética africana. Em vez de depender exclusivamente de investidores externos, Angola procura consolidar alianças regionais capazes de fortalecer a indústria petrolífera no continente.
Ao mesmo tempo, o projecto revela uma tentativa de corrigir um problema histórico enfrentado por vários países produtores de petróleo em África: exportar matéria-prima e importar combustíveis refinados a preços mais elevados.
Se os projectos forem concluídos dentro dos prazos previstos, Angola poderá reduzir significativamente a dependência externa e consolidar-se como um dos principais centros de refinação da região austral africana.

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