Enquanto o ouro é retirado do solo da Zambézia, jovens moçambicanos continuam afastados do emprego em projetos mineiros operados por empresas estrangeiras. Comunidades de Alto Molócuè e Gilé denunciam que três empresas chinesas exploram ouro sem empregar operadores moçambicanos, gerando preocupações sobre exclusão laboral, salários desiguais e possível irregularidade na situação migratória de alguns trabalhadores.
Exploração privilegia mão-de-obra estrangeira
Segundo líderes comunitários e residentes ouvidos no terreno, as empresas utilizam escavadeiras e maquinaria pesada operadas exclusivamente por cidadãos chineses, apesar da existência de moçambicanos com formação técnica e experiência comprovada.
Muitos profissionais nacionais acabam relegados a funções secundárias ou totalmente afastados das operações, gerando frustração e sensação de injustiça entre os residentes. A disparidade salarial, estimada em 500.000 meticais para operadores estrangeiros, reforça ainda mais a perceção de desigualdade.
Por que a população exige intervenção urgente?
A população defende que a exploração de recursos naturais deve priorizar o emprego local, principalmente para jovens, promovendo desenvolvimento económico e evitando tensões sociais.
Riscos e consequências da falta de fiscalização
Outro ponto levantado pelos residentes é a possibilidade de irregularidades na situação migratória de alguns trabalhadores estrangeiros, o que reforça os apelos por maior fiscalização por parte das autoridades competentes.
Especialistas alertam que a ausência de controle eficaz pode resultar em conflitos sociais, exploração laboral, evasão fiscal e perda de confiança das comunidades, comprometendo a estabilidade social e os benefícios esperados da mineração.
A lei moçambicana permite excluir trabalhadores nacionais?
A legislação laboral estabelece que a contratação de estrangeiros deve ocorrer apenas quando não existirem competências nacionais disponíveis, princípio que, segundo denunciantes, não está a ser respeitado nas operações mineiras em Alto Molócuè e Gilé.
Integridade
O caso da Zambézia reflete desafios históricos na gestão de recursos naturais em Moçambique, mostrando que sem fiscalização contínua e políticas firmes de inclusão local, a riqueza mineral pode gerar crescimento económico sem impacto social positivo.
As comunidades de Alto Molócuè e Gilé apelam a uma intervenção urgente das autoridades laborais, migratórias e mineiras para garantir o cumprimento da lei e o direito dos moçambicanos ao emprego no seu próprio país. A mineração de ouro deve beneficiar quem vive na região, promovendo justiça social e desenvolvimento sustentável.
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